WSJ cria mapa com situação dos jornais impressos nos Estados Unidos

Quer saber um pouco mais sobre a situação caótica da indústria jornalística norte-americana? O Wall Street Journal disponibilza um gráfico interativo sobre a evolução da crise, desde 2006 até os dias de hoje. Cuidado para não chorar… Acesse o site do WSJ clicando aqui.

A gripe dos porcos

O espetacularismo midiático com notícias apocalípticas é uma atividade comum na imprensa, especialmente quando as matérias de gaveta tornam-se manchetes por dias seguidos nos veículos impressos, online e eletrônico.

Na edição da sua newsletter de ontem, dia 1º, o Knight Center traz um bom texto com links sobre a opinião de estudiosos da mídia sobre como esse devaneio informativo pode ser irresponsável e sem sentido.

Segue abaixo o texto na íntegra. (

Para analistas da mídia, intensidade da cobertura sobre o vírus causa pânico desnecessário

Em pouco tempo, o H1N1 influenza A, nome científico da “gripe suína”, tomou conta dos meios de comunicação em todo o mundo, ganhando destaque também na blogosfera, em redes sociais como o Facebook, e no Twitter. Mas analistas da mídia acreditam que a intensidade da cobertura sobre a doença esteja aumentando o nível de ansiedade da população, diz o Observatório da Imprensa. (Veja a cobertura da imprensa brasileira aqui.)

“Há uma diferença entre manter nossos leitores e telespectadores informados e espetacularizar a história”, diz a blogueira e co-fundadora do Huffington Post Arianna Huffington, segundo o Observatório. “A mídia tende a gostar de cenários apocalípticos, como o da gripe aviária e o do bug do milênio”.

Na Venezuela, o presidente Hugo Chávez acusou os meios de comunicação privados de conduzir de maneira irresponsável o tema, e assim criar “angústia” na pessoas.

Vinicius Torres Freire, colunista da Folha de S. Paulo, critica a cobertura exagerada da mídia brasileira, que levou milhares de paulistanos às farmácias, numa busca sem sentido a “antissépticos e remédios pesados para a gripe”. “Dengue, malária, disenterias que matam milhares devido a condições sanitárias indecentes, atropelamento, facada, tiro -morrer disso, tudo bem. É coisa nossa. Mas um vírus por ora apenas midiático leva multidões às farmácias”, diz Freire em sua coluna, disponível na íntegra apenas para assinantes do jornal.

A opinião de Hamilton Nolan, do Gawker.com, um blog que discute com humor as notícias e as fofocas da mídia americana, é parecida: “há muitas outras doenças mortais por aí, matando pessoas todos os dias”. No México, diz o blogueiro, epicentro do surto e onde o sistema de saúde é muito mais precário que o dos Estados Unidos, “somente 103 pessoas foram mortas” pelo vírus. “É um número bem menor do que o de pessoas mortas pela guerra dos cartéis de droga em Juarez“, diz Nolan, que completa: “É uma reportagem de página B-3 que foi colocada na A-1″.

O frenesi foi tamanho que um exército de repórteres e fotógrafos foi até o pequeno município mexicano de La Gloria, no estado de Veracruz, para falar com o garoto de cinco anos identificado como o “paciente zero” da doença. O menino, a propósito, está saudável (mas ainda sob o microscópio da imprensa mundial).

A Associação Nacional de Jornalistas Hispânicos dos Estados Unidos (NAHJ, por suas siglas em inglês) manifestou em nota preocupação com a cobertura midiática americana sobre o vírus e pediu que os jornalistas informem os fatos de forma mais justa, verdadeira e equilibrada. Para o grupo, há na imprensa uma tentação em ligar imigrantes mexicanos com a propagação da doença nos Estados Unidos, causando ainda mais raiva e violência contra uma comunidade não mais responsável pela disseminação do H1N1 do que turistas americanos retornando de suas viagens de férias no México.

E você, o que acha da cobertura da mídia sobre o vírus H1N1?

Fim da Lei de Imprensa

A Lei de Imprensa foi revogada ontem, dia 30, pelos ministros do STF. Agora, veículos de comunicação e jornalistas serão responsabilizados de acordo com a Constituição e o Código Penal.

Mas ao que parece as mudanças não trarão melhoras significativas, pelo menos é o que aponta a parcial na enquete realizada pelo site Observatório da Imprensa. A pergunta ” O fim da Lei de Imprensa
pode tornar a mídia mais responsável?” foi respondida, até o momento, por mais de 70% de votantes como não.

F alta agora ao Supremo definir a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para os profissionais que atuam na área. Com o avança da especialização em todas as áreas do conhecimento, imaginar que isso não seja necessário é uma ofensa à categoria.

Coisa de brasileiro?

Para aqueles que acham que novela é coisa de brasileiro, “Sinhá Moça”, produção da TV Globo, estreiou na última terça-feira, dia 27, no Canadá. O grupo de mídia canadense OMNI Television, sistema de televisão da Rogers Communications, já exibiu as séries “Sete Mulheres” e “Amazônia”, além das novelas “O Clone” e “Senhora do Destino”.

Será que bate os mesmos recordes de audiência dos realizados aqui?

As informações são do site Tela-Viva

Voltamos

Depois de muitos meses esquecido, voltamos aos trabalhos do blog.

Civita avisa “Veja não estará no papel em 40 anos” Putz! Mais 40?

Na semana que “comemora” os 40 anos da revista Veja, infelizmente parte deles dedidacos ao mau jornalismo, o presidente da Abril, Roberto Civita, disse que a revista não estará no papel daqui 40 anos.

Dois pontos: 

Sim, todo munda sabe disso, o que interessa é saber onde. O fundador da revista foi para o lado mais presumível: “Vai estar na “edição online”. Online “seu” Civita? Daqui 40 anos?

Ponto dois. Ela vai existir até lá? Nossa, o Brasil não vai mudar muito então…

Em tempo. A revista não presta para muita coisa, mas o site feito pelo pessoal da TV1 é muito bom. Diferente do comum da web.

Dá uma olhada no site de comemoração da Veja 40 anos www.veja40anos.com.br

RSF convoca manifestação para o dia da abertura dos Jogos Olímpicos

Do Comunique-se

Em resposta às restrições impostas pelo governo chinês a jornalistas, ativistas pelos direitos humanos, tibetanos e uigurs (turcos chineses), a organização Repórteres Sem Fronteiras está organizando manifestações nas embaixadas da China em Londres, Madri, Berlim, Paris, Washington, Bruxelas, Montreal, Roma e Estocolmo.

O início dos protestos está marcado para o dia 08/08, data de início dos Jogos Olímpicos. A RSF também está organizando uma manifestação na internet.

“Essas demonstrações pacíficas vão servir de resposta ao cinismo daqueles que vão se sentar com seus braços cruzados dentro do estádio de Pequim”, diz o comunicado.

Censura à internet na China está parcialmente suspensa

Os chineses correram para concluir as obras para as Olimpíadas antes do previsto. Mas da série de acordos que o país deveria seguir faltou cumprir as condições do meio ambiente e de liberdade de expressão. A fumaça despejada até o último minuto agora força as obras chinesas a esperarem o final das competições. A liberdade de imprensa foi esquecida e só agora são liberados alguns sites,só para a imprensa, que invade a China para cobrir um dos maiores eventos do mundo, que iniciam no dia 8 desse mês. Como disse Giselle Davies, uma porta voz do Comitê Olímpico Internacional (COI) “já é algo positivo”. Quem conhece um pouco do modelo chinês de negociação, nada muito diferente do comum.

Matéria publicada no site da Revista Veja em 1º de agosto

Com agência France-Presse

A China suspendeu nesta sexta-feira a censura sobre várias páginas da internet, mas manteve o bloqueio a diversas outras no principal centro de imprensa montado para a cobertura jornalística dos Jogos Olímpicos de Pequim, neste mês.

Um repórter da agência France-Presse constatou que as páginas da Anistia Internacional e da Repórteres sem Fronteiras estavam acessíveis, enquanto que as da BBC em chinês, de dissidentes e pró-tibetanos não podiam ser consultadas.

“Já é algo positivo”, disse Giselle Davies, uma porta-voz do Comitê Olímpico Internacional (COI). Em um comunicado, o COI diz ter pedido ao comitê organizador dos Jogos que limitasse a censura à internet para a imprensa credenciada.

“A questão havia sido posta sobre a mesa e o COI pediu que o anfitrião dos Jogos respondesse”, afirma o texto. O porta-voz do comitê organizador do evento, Sun Weide, prometeu novamente um acesso “suficiente e aceitável” à imprensa.

Sun afirmou, contudo, que não podia dizer se outras páginas da internet seriam liberadas. A China havia reafirmado na quinta-feira que não voltaria atrás sobre o controle da internet durante os Jogos, apesar da polêmica suscitada por esse anúncio.

Nesta sexta, o presidente chinês Hu Jintao pediu uma cobertura “objetiva” dos Jogos, apelando aos jornalistas para que respeitem as leis. “Seguiremos disponibilizando estruturas e meios para que os jornalistas estrangeiros possam trabalhar.”

Hu Jintao pede que Jogos ‘não sejam politizados’

Material publicado no site da AFP

O presidente chinês, Hu Jintao, pediu nesta sexta-feira, em uma inabitual entrevista concedida à imprensa estrangeira, que os Jogos Olímpicos “não sejam politizados” porque seria contrário ao espírito olímpico e defendeu uma cobertura “objetiva”.

“É inevitável que os povos de diferentes países e regiões do mundo tenham percepções que não sejam as mesmas sobre diferentes temas”, declarou. “Não creio que politizar os Jogos Olímpicos ajude a dar uma resposta a isso”.

“É contrário ao espírito olímpico e às aspirações compartilhadas por todo o mundo”, acrescentou.

Em plena polêmica em torno da censura chinesa imposta aos jornalistas credenciados nos Jogos Olímpicos para o uso da internet, Hu Jintao instou os jornalistas a respeitar o direito chinês e a “realizar reportagens objetivas”.

“Seguiremos disponibilizando estruturas e meios para que os jornalistas estrangeiros possam trabalhar”, indicou o presidente durante esse encontro com mais de 20 meios de comunicação no Palácio do Povo de Pequim.

“Certamente também esperamos que a imprensa estrangeira respeite as leis e regulamentos chineses. Esperamos que forneçam informações objetivas sobre o que acontecer aqui”, acrescentou.

A China indicou na quinta-feira que não voltará atrás em relação ao controle da internet durante os Jogos Olímpicos, apesar da polêmica provocada por tal anúncio.

A saga de Lampião pela imprensa

Por Giovanni Rocha

A saga de Virgulino Ferreira, o temido Lampião, foi motivo de estudo da francesa Elise Grunspan-Jasmin. Ela apresenta como a imprensa, em especial os fotógrafos andarilhos do sertão nordestino, retratou e idealizou um dos principais “heróis” do folclore nacional. A história de Lampião e seu bando foi escrita na base do sangue e da pólvora, porém é inegável que o trabalho do fotojornalismo nesse cenário merecesse trabalhos de pesquisas como o de Elise.

Todas as informações abaixo foram publicadas no website do jornal O Povo do Ceará no dia 24 de julho.

O espelho de Lampião

Pedro Rocha
da Redação

A pesquisadora francesa Elise Grunspan-Jasmin analisa em entrevista ao O POVO a construção da imagem de Lampião através das fotografias publicadas na imprensa da época

O vulto de Lampião fazia rebuliço quando notícias anunciavam sua aproximação. Assim foi por mais de 20 anos, num enfrentamento aberto contra o poder de repressão estatal. Um enfrentamento que ganhou dimensões espetaculares na imprensa, principalmente através da publicação de fotografias. De um lado dessa disputa estavam cangaceiros e o próprio Lampião, que pousavam imponentes nas imagens ao mesmo tempo em que a captura do bando, pelas forças policiais, parecia impossível. Doutro, registros das volantes, de acordos governamentais e cangaceiros mortos.

A autora do livro Lampião – Senhor do Sertão (Edusp), a francesa Elise Grunspan-Jasmin, analisou as cerca de 200 fotografias relativas ao cangaço, reunidas em diferentes arquivos públicos e coleções privadas do Nordeste brasileiro, e escreve na entrevista abaixo por e-mail sobre a ascensão e queda do homem que já morreu mito.

O POVO – Que momento marca a entrada de Lampião na imprensa?
Elise Gruspan-Jasmin – Sua incorporação aos Batalhões Patrióticos, em 1926, marca o início de sua vida pública, sua ruptura definitiva com a sociedade do sertão, à qual não se reintegrará nunca mais, e, principalmente, a sedução de um enfrentamento com o Brasil inteiro por intermédio da imprensa. Foi, a partir de então, que instaurou-se um diálogo entre Lampião e interlocutores que ora eram seus admiradores, ora seus inimigos. A imprensa e a fotografia veiculam essa imagem de Lampião, o que, para a época, é extremamente inovador. O ano de 1926 registra uma virada na vida de Lampião. A incorporação de Lampião aos Batalhões Patrióticos devia, na verdade, ser seguida de uma anistia e da obtenção oficial da patente de capitão. Sabemos que não foi nada disso. As promessas não foram mantidas: ao sair de Juazeiro, Lampião continuava a ser um criminoso perseguido pelas forças policiais, e sua patente de capitão não tinha estritamente nenhum valor. Acho que foi depois do episódio de Juazeiro que Lampião tomou consciência da influência dos jornais sobre a construção da sua imagem, mas renunciou à relação direta com a imprensa. É a partir dessa traição que se constrói e se elabora a última imagem do cangaceiro Lampião, a de um homem que, descobrindo que não voltará a pertencer à sociedade do sertão, vai, doravante, enfrentá-la e desafiar o Brasil inteiro.

OP – Como esse momento se diferencia das fotos feitas dez anos depois por Benjamin Abrahão?
Elise – Em 1936, ele é o “Rei do Cangaço”, se deixa ver, se exibe no seu universo familiar. Ele não tem mais, desde muito tempo, a esperança de reintegrar à sociedade. As fotografias de Benjamin Abrahão testemunham da organização de uma vida com suas próprias leis, códigos, costumes. Lampião é, ao mesmo tempo, chefe de grupo e chefe de família e deixa parecer sobre as fotografias todos os momentos de uma vida que ele encenou. Nas fotografias feitas por Benjamin Abrahão, Lampião vai diferenciar-se: tomará distância em relação aos códigos tradicionais em vigor até então no cangaço, cuidando de sua aparência e organizando uma verdadeira cenografia entorno de sua pessoa e de sua atividade. Ele passa a cuidar dos detalhes de seu vestuário: imensos chapéus decorados com medalhas, correias recobertas com peças de ouro, fruto de suas pilhagens, alforjes bordados com cores soberbas, punhais imensos incrustados de pedras etc. Agora ele é reconhecível entre todos.

OP – Lampião tinha um senso estratégico e consciente do uso de sua imagem?
Elise – É uma questão muito delicada. Analizando a iconografia do cangaço, a gente não pode escapar a tentação de pensar que Lampião, de uma certa forma, instrumentalizou a fotografia para construir sua lenda e, até mais, fez da fotografia um dos elementos da sua manipulação das mídias. Eu, pessoalmente, acho que Lampião, certamente, sem instrumentalizá-la ou manipulá-la, entendeu o impacto que a fotografia podia ter na construção da sua personagem e na interação que ele podia ter com os seus adversários.

OP – Houve uma reação deliberada dos adversários? As fotos se diferenciam em que dos retratos de cangaceiros?
Elise – Na leitura dos jornais do litoral do Nordeste, assim como os do sul do País, fica evidente que a fotografia teve um papel considerável na demonstração de poder de cada um dos campos. Algumas fotografias representam as autoridades governamentais e policiais dos diferentes estados do Nordeste em reuniões estratégicas, conferências de imprensa ou jantares oficiais organizados nas diferentes capitais do Nordeste. A repressão do cangaço já não é mais unicamente um problema das volantes em ação no sertão. Essas imagens registradas na imprensa reforçam a idéia de uma participação ativa das personalidades políticas das grandes cidades do litoral na elaboração de planos de combate contra o cangaço. Visam contrabalançar a infinidade de artigos criticando o pouco envolvimento dos políticos das grandes cidades do litoral frente ao drama que sofria o sertão. Paralelamente às imagens de reuniões oficiais, aparecem nos jornais, a partir de 1935, fotografias que mostram oficiais ou soldados das forças volantes em campanha contra o cangaço no sertão. Os oficiais e soldados das volantes – particularmente os da força de Nazaré, inimigos irredutíveis de Lampião – são quase sempre retratados em uniforme de campanha. Seu traje, embora não seja ricamente enfeitado, assemelha-se, em diversos aspectos, ao dos cangaceiros, permitindo identificar a região de onde provêm os personagens e os códigos de identificação das roupas dos combatentes. Esse tipo de fotografia foi privilegiado na imprensa da época até a morte de Lampião, por reposicionar a relação de forças entre Lampião e seus adversários em um contexto regional claramente determinado.

OP – Nessa disputa, o que representa a famosa foto das cabeças decapitadas em Angicos?
Elise – Foi nessa ocasião que a encenação e a iconografia macabra do cangaço teve seu auge. Em uma espécie de resposta à alegação de poder e invulnerabilidade do célebre cangaceiro, decapitaram-no e exibiram sua cabeça e a de seus companheiros como troféus, a fim de mostrar aos olhos do mundo que esse corpo fechado, impermeável às balas e às facas, podia ser fragmentado. Essa fotografia, exibindo numa encenação elaborada, cadáveres profanados e mutilados, coloca o público diante de uma violência que desperta a sensação de ausência de limites. Tudo parece ser permitido, em uma espécie de derrapagem descontrolada. A imagem aqui é destituída de seu poder de sacralização do sujeito, e não passa de um objeto difamador, que sugere exclusão, uma despossessão post-mortem.

OP – Quais as interpretações que podemos fazer a partir dessa “encenação elaborada” a qual você se referiu?
Elise – A fotografia das 11 cabeças cortadas revela uma composição bastante elaborada. As cabeças dos 11 cangaceiros mortos em Angicos pela volante de João Bezerra foram dispostas sobre um lençol branco, estendido sobre os degraus da igreja de Santana do Ipanema. Em torno dessas cabeças estão distribuídas, em cuidadosa simetria, armas, cartucheiras, bornais e chapéus dos cangaceiros, além de duas máquinas de costura. A disposição das cabeças não é aleatória: a de Lampião foi isolada das demais, e aparece em primeiro plano, na base da composição, como para dizer que Lampião – o chefe, o instigador, o arquiteto, o rei do cangaço – agora estava reduzido ao comando de um grupo de cabeças decepadas. Em segundo plano, logo acima da cabeça de Lampião, encontra-se a de Maria Bonita, entre as de Quinta-Feira e Luís Pedro. As cabeças dos outros cangaceiros foram colocadas mais acima: são as de Mergulhão, Elétrico e Caixa de Fósforo. No topo estão as cabeças de Adília, Cajarana, um desconhecido e Diferente. Todas estão etiquetadas e exibem o nome de cada cangaceiro. Os símbolos da riqueza e da força guerreira dos cangaceiros estão presentes, compondo o fundo de uma natureza-morta macabra. Esses detalhes – bordados, ornamentos, peças de ouro – sugerindo brilho, luminosidade que se perdeu para sempre, contrastam violentamente com as cabeças cortadas, remetendo o observador, inapelavelmente, ao ato de decapitação e à profanação dos cadáveres.

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