Textos: Fábio Almeida e Giovanni Rocha
Fotos: Giovanni Rocha
Em Porto Alegre circulam cerca de oito mil carroças, três mil delas vem de cidades vizinhas, mas que buscam trabalho na capital. Essa frota é a mais numerosa em uma região metropolitana no País. Não há registro de situação parecida em outro local no Brasil. O número é maior do que toda a frota de ônibus, táxis e lotação do município, de pouco mais de seis mil veículos. Não é difícil perceber que o encontro dos carroceiros com os motoristas, no trânsito tumultuado da cidade, geralmente não é harmonioso entre os condutores.
Para o Teófilo, a dor de cabeça é constate. As discussões são freqüentes, com ofensas de ambos os lados. “Esses ônibus nos apertam! Eles gritam, tira essa m…. daí! Maloqueiro! Eu não dou bola. Isso aqui é o meu instrumento de trabalho”, retruca indignado. O carroceiro continua e diz que ninguém respeita ninguém. “Por mais que a gente tente evitar atrapalhar, sempre acaba sendo discriminado. Às vezes a gente ouve mais do que deve. Não precisava xingar tanto”.
O próprio trânsito foi o responsável por colocá-lo na atual atividade, a carroça. O carroceiro já foi motorista de ônibus e realizava viagens pelo Brasil. Há dez anos a rotina mudou. Enquanto fazia um dos seus trajetos diários sofreu um grave acidente. Com a tragédia, passou a sofrer com problemas no sistema nervoso ficando impossibilitado de dirigir. Ele encontrou na carroça o meio para unir suas duas paixões, a estrada e o cavalo. Mas o perigo do trânsito ainda preocupa Teófilo. Os eventuais ataques epiléticos, com desmaios e outras reações involuntárias, já quase o mataram. “Estava sozinho, guiando a carroça, quando sofri uma convulsão. Por pouco não fui esmagado por um ônibus” mostra Teófilo, ao fazer gestos com as mãos tentando explicar como foi acidente.
* Reportagem publicada na revista Primeira Impressão, produzida por alunos da disciplina de Projeto Experimental em Revista, do curso de jornalismo da Unisinos (RS). Junho de 2008.

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