Quer saber um pouco mais sobre a situação caótica da indústria jornalística norte-americana? O Wall Street Journal disponibilza um gráfico interativo sobre a evolução da crise, desde 2006 até os dias de hoje. Cuidado para não chorar… Acesse o site do WSJ clicando aqui.
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WSJ cria mapa com situação dos jornais impressos nos Estados Unidos
Publicado Maio 2, 2009 Jornalismo Deixar um ComentárioTags: crise jornalística, imprensa norte-americana, situação dos jornais, wall street journal, wsj
A gripe dos porcos
Publicado Maio 2, 2009 Jornalismo Deixar um ComentárioTags: alarmismo, gripe mexicana, gripe suína, surto de gripe, teoira do caos
O espetacularismo midiático com notícias apocalípticas é uma atividade comum na imprensa, especialmente quando as matérias de gaveta tornam-se manchetes por dias seguidos nos veículos impressos, online e eletrônico.
Na edição da sua newsletter de ontem, dia 1º, o Knight Center traz um bom texto com links sobre a opinião de estudiosos da mídia sobre como esse devaneio informativo pode ser irresponsável e sem sentido.
Segue abaixo o texto na íntegra. (
Em pouco tempo, o H1N1 influenza A, nome científico da “gripe suína”, tomou conta dos meios de comunicação em todo o mundo, ganhando destaque também na blogosfera, em redes sociais como o Facebook, e no Twitter. Mas analistas da mídia acreditam que a intensidade da cobertura sobre a doença esteja aumentando o nível de ansiedade da população, diz o Observatório da Imprensa. (Veja a cobertura da imprensa brasileira aqui.)
“Há uma diferença entre manter nossos leitores e telespectadores informados e espetacularizar a história”, diz a blogueira e co-fundadora do Huffington Post Arianna Huffington, segundo o Observatório. “A mídia tende a gostar de cenários apocalípticos, como o da gripe aviária e o do bug do milênio”.
Na Venezuela, o presidente Hugo Chávez acusou os meios de comunicação privados de conduzir de maneira irresponsável o tema, e assim criar “angústia” na pessoas.
Vinicius Torres Freire, colunista da Folha de S. Paulo, critica a cobertura exagerada da mídia brasileira, que levou milhares de paulistanos às farmácias, numa busca sem sentido a “antissépticos e remédios pesados para a gripe”. “Dengue, malária, disenterias que matam milhares devido a condições sanitárias indecentes, atropelamento, facada, tiro -morrer disso, tudo bem. É coisa nossa. Mas um vírus por ora apenas midiático leva multidões às farmácias”, diz Freire em sua coluna, disponível na íntegra apenas para assinantes do jornal.
A opinião de Hamilton Nolan, do Gawker.com, um blog que discute com humor as notícias e as fofocas da mídia americana, é parecida: “há muitas outras doenças mortais por aí, matando pessoas todos os dias”. No México, diz o blogueiro, epicentro do surto e onde o sistema de saúde é muito mais precário que o dos Estados Unidos, “somente 103 pessoas foram mortas” pelo vírus. “É um número bem menor do que o de pessoas mortas pela guerra dos cartéis de droga em Juarez“, diz Nolan, que completa: “É uma reportagem de página B-3 que foi colocada na A-1″.
O frenesi foi tamanho que um exército de repórteres e fotógrafos foi até o pequeno município mexicano de La Gloria, no estado de Veracruz, para falar com o garoto de cinco anos identificado como o “paciente zero” da doença. O menino, a propósito, está saudável (mas ainda sob o microscópio da imprensa mundial).
A Associação Nacional de Jornalistas Hispânicos dos Estados Unidos (NAHJ, por suas siglas em inglês) manifestou em nota preocupação com a cobertura midiática americana sobre o vírus e pediu que os jornalistas informem os fatos de forma mais justa, verdadeira e equilibrada. Para o grupo, há na imprensa uma tentação em ligar imigrantes mexicanos com a propagação da doença nos Estados Unidos, causando ainda mais raiva e violência contra uma comunidade não mais responsável pela disseminação do H1N1 do que turistas americanos retornando de suas viagens de férias no México.
E você, o que acha da cobertura da mídia sobre o vírus H1N1?
Fim da Lei de Imprensa
Publicado Maio 1, 2009 Jornalismo Deixar um ComentárioTags: diploma de jornalista, lei de imprensa, supremo tribunal federal
A Lei de Imprensa foi revogada ontem, dia 30, pelos ministros do STF. Agora, veículos de comunicação e jornalistas serão responsabilizados de acordo com a Constituição e o Código Penal.
Mas ao que parece as mudanças não trarão melhoras significativas, pelo menos é o que aponta a parcial na enquete realizada pelo site Observatório da Imprensa. A pergunta ” O fim da Lei de Imprensa
pode tornar a mídia mais responsável?” foi respondida, até o momento, por mais de 70% de votantes como não.
F alta agora ao Supremo definir a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para os profissionais que atuam na área. Com o avança da especialização em todas as áreas do conhecimento, imaginar que isso não seja necessário é uma ofensa à categoria.
A saga de Lampião pela imprensa
Publicado Julho 25, 2008 Jornalismo , fotografia 6 ComentáriosTags: cangaço, fotografia, fotografia década de 20, herói popular, Lampião, Nordeste brasileiro

Por Giovanni Rocha
A saga de Virgulino Ferreira, o temido Lampião, foi motivo de estudo da francesa Elise Grunspan-Jasmin. Ela apresenta como a imprensa, em especial os fotógrafos andarilhos do sertão nordestino, retratou e idealizou um dos principais “heróis” do folclore nacional. A história de Lampião e seu bando foi escrita na base do sangue e da pólvora, porém é inegável que o trabalho do fotojornalismo nesse cenário merecesse trabalhos de pesquisas como o de Elise.
Todas as informações abaixo foram publicadas no website do jornal O Povo do Ceará no dia 24 de julho.
O espelho de Lampião
Pedro Rocha
da Redação
A pesquisadora francesa Elise Grunspan-Jasmin analisa em entrevista ao O POVO a construção da imagem de Lampião através das fotografias publicadas na imprensa da época
O vulto de Lampião fazia rebuliço quando notícias anunciavam sua aproximação. Assim foi por mais de 20 anos, num enfrentamento aberto contra o poder de repressão estatal. Um enfrentamento que ganhou dimensões espetaculares na imprensa, principalmente através da publicação de fotografias. De um lado dessa disputa estavam cangaceiros e o próprio Lampião, que pousavam imponentes nas imagens ao mesmo tempo em que a captura do bando, pelas forças policiais, parecia impossível. Doutro, registros das volantes, de acordos governamentais e cangaceiros mortos.
A autora do livro Lampião – Senhor do Sertão (Edusp), a francesa Elise Grunspan-Jasmin, analisou as cerca de 200 fotografias relativas ao cangaço, reunidas em diferentes arquivos públicos e coleções privadas do Nordeste brasileiro, e escreve na entrevista abaixo por e-mail sobre a ascensão e queda do homem que já morreu mito.
O POVO – Que momento marca a entrada de Lampião na imprensa?
Elise Gruspan-Jasmin – Sua incorporação aos Batalhões Patrióticos, em 1926, marca o início de sua vida pública, sua ruptura definitiva com a sociedade do sertão, à qual não se reintegrará nunca mais, e, principalmente, a sedução de um enfrentamento com o Brasil inteiro por intermédio da imprensa. Foi, a partir de então, que instaurou-se um diálogo entre Lampião e interlocutores que ora eram seus admiradores, ora seus inimigos. A imprensa e a fotografia veiculam essa imagem de Lampião, o que, para a época, é extremamente inovador. O ano de 1926 registra uma virada na vida de Lampião. A incorporação de Lampião aos Batalhões Patrióticos devia, na verdade, ser seguida de uma anistia e da obtenção oficial da patente de capitão. Sabemos que não foi nada disso. As promessas não foram mantidas: ao sair de Juazeiro, Lampião continuava a ser um criminoso perseguido pelas forças policiais, e sua patente de capitão não tinha estritamente nenhum valor. Acho que foi depois do episódio de Juazeiro que Lampião tomou consciência da influência dos jornais sobre a construção da sua imagem, mas renunciou à relação direta com a imprensa. É a partir dessa traição que se constrói e se elabora a última imagem do cangaceiro Lampião, a de um homem que, descobrindo que não voltará a pertencer à sociedade do sertão, vai, doravante, enfrentá-la e desafiar o Brasil inteiro.
OP – Como esse momento se diferencia das fotos feitas dez anos depois por Benjamin Abrahão?
Elise – Em 1936, ele é o “Rei do Cangaço”, se deixa ver, se exibe no seu universo familiar. Ele não tem mais, desde muito tempo, a esperança de reintegrar à sociedade. As fotografias de Benjamin Abrahão testemunham da organização de uma vida com suas próprias leis, códigos, costumes. Lampião é, ao mesmo tempo, chefe de grupo e chefe de família e deixa parecer sobre as fotografias todos os momentos de uma vida que ele encenou. Nas fotografias feitas por Benjamin Abrahão, Lampião vai diferenciar-se: tomará distância em relação aos códigos tradicionais em vigor até então no cangaço, cuidando de sua aparência e organizando uma verdadeira cenografia entorno de sua pessoa e de sua atividade. Ele passa a cuidar dos detalhes de seu vestuário: imensos chapéus decorados com medalhas, correias recobertas com peças de ouro, fruto de suas pilhagens, alforjes bordados com cores soberbas, punhais imensos incrustados de pedras etc. Agora ele é reconhecível entre todos.
OP – Lampião tinha um senso estratégico e consciente do uso de sua imagem?
Elise – É uma questão muito delicada. Analizando a iconografia do cangaço, a gente não pode escapar a tentação de pensar que Lampião, de uma certa forma, instrumentalizou a fotografia para construir sua lenda e, até mais, fez da fotografia um dos elementos da sua manipulação das mídias. Eu, pessoalmente, acho que Lampião, certamente, sem instrumentalizá-la ou manipulá-la, entendeu o impacto que a fotografia podia ter na construção da sua personagem e na interação que ele podia ter com os seus adversários.
OP – Houve uma reação deliberada dos adversários? As fotos se diferenciam em que dos retratos de cangaceiros?
Elise – Na leitura dos jornais do litoral do Nordeste, assim como os do sul do País, fica evidente que a fotografia teve um papel considerável na demonstração de poder de cada um dos campos. Algumas fotografias representam as autoridades governamentais e policiais dos diferentes estados do Nordeste em reuniões estratégicas, conferências de imprensa ou jantares oficiais organizados nas diferentes capitais do Nordeste. A repressão do cangaço já não é mais unicamente um problema das volantes em ação no sertão. Essas imagens registradas na imprensa reforçam a idéia de uma participação ativa das personalidades políticas das grandes cidades do litoral na elaboração de planos de combate contra o cangaço. Visam contrabalançar a infinidade de artigos criticando o pouco envolvimento dos políticos das grandes cidades do litoral frente ao drama que sofria o sertão. Paralelamente às imagens de reuniões oficiais, aparecem nos jornais, a partir de 1935, fotografias que mostram oficiais ou soldados das forças volantes em campanha contra o cangaço no sertão. Os oficiais e soldados das volantes – particularmente os da força de Nazaré, inimigos irredutíveis de Lampião – são quase sempre retratados em uniforme de campanha. Seu traje, embora não seja ricamente enfeitado, assemelha-se, em diversos aspectos, ao dos cangaceiros, permitindo identificar a região de onde provêm os personagens e os códigos de identificação das roupas dos combatentes. Esse tipo de fotografia foi privilegiado na imprensa da época até a morte de Lampião, por reposicionar a relação de forças entre Lampião e seus adversários em um contexto regional claramente determinado.
OP – Nessa disputa, o que representa a famosa foto das cabeças decapitadas em Angicos?
Elise – Foi nessa ocasião que a encenação e a iconografia macabra do cangaço teve seu auge. Em uma espécie de resposta à alegação de poder e invulnerabilidade do célebre cangaceiro, decapitaram-no e exibiram sua cabeça e a de seus companheiros como troféus, a fim de mostrar aos olhos do mundo que esse corpo fechado, impermeável às balas e às facas, podia ser fragmentado. Essa fotografia, exibindo numa encenação elaborada, cadáveres profanados e mutilados, coloca o público diante de uma violência que desperta a sensação de ausência de limites. Tudo parece ser permitido, em uma espécie de derrapagem descontrolada. A imagem aqui é destituída de seu poder de sacralização do sujeito, e não passa de um objeto difamador, que sugere exclusão, uma despossessão post-mortem.

OP – Quais as interpretações que podemos fazer a partir dessa “encenação elaborada” a qual você se referiu?
Elise – A fotografia das 11 cabeças cortadas revela uma composição bastante elaborada. As cabeças dos 11 cangaceiros mortos em Angicos pela volante de João Bezerra foram dispostas sobre um lençol branco, estendido sobre os degraus da igreja de Santana do Ipanema. Em torno dessas cabeças estão distribuídas, em cuidadosa simetria, armas, cartucheiras, bornais e chapéus dos cangaceiros, além de duas máquinas de costura. A disposição das cabeças não é aleatória: a de Lampião foi isolada das demais, e aparece em primeiro plano, na base da composição, como para dizer que Lampião – o chefe, o instigador, o arquiteto, o rei do cangaço – agora estava reduzido ao comando de um grupo de cabeças decepadas. Em segundo plano, logo acima da cabeça de Lampião, encontra-se a de Maria Bonita, entre as de Quinta-Feira e Luís Pedro. As cabeças dos outros cangaceiros foram colocadas mais acima: são as de Mergulhão, Elétrico e Caixa de Fósforo. No topo estão as cabeças de Adília, Cajarana, um desconhecido e Diferente. Todas estão etiquetadas e exibem o nome de cada cangaceiro. Os símbolos da riqueza e da força guerreira dos cangaceiros estão presentes, compondo o fundo de uma natureza-morta macabra. Esses detalhes – bordados, ornamentos, peças de ouro – sugerindo brilho, luminosidade que se perdeu para sempre, contrastam violentamente com as cabeças cortadas, remetendo o observador, inapelavelmente, ao ato de decapitação e à profanação dos cadáveres.
Conheça o site do jornal no endereço www.opovo.com.br
Rédea Solta – Parte 1
Publicado Junho 30, 2008 Jornalismo 2 ComentáriosTags: carroça, carroças em Porto Alegre, reportagem

Um dia no trabalho e na vida de um carroceiro para compreender que a solução está além do discurso comum
Textos: Fábio Almeida e Giovanni Rocha
Fotos: Giovanni Rocha
Teófilo escova o pêlo do cavalo, coloca os arreios e prepara a carroça quando a voz preocupada da sua esposa o interrompe. “Teófilo, acho que o Hulk morreu!” O homem de barba e cabelos compridos, conhecido pelos amigos como “Bin Lade”, devido à semelhança física com o terrorista Osama Bin Laden, enruga a testa, abaixa a aba do boné surrado que o protege do sol forte de uma tarde quente de março e pergunta à mulher o motivo da morte. Num diagnóstico rápido e duvidoso, com a voz engasgada, ela responde que o problema foi o coração. Hulk era o cachorro da raça “policial” da família, tinha perto de 13 anos, calcula o dono, Teófilo Rodrigues Motta, 37 anos.
Ele avisa um dos filhos que enterrará Hulk depois que voltar para casa, no início da noite. Mas até lá, ainda há muito trabalho. Teófilo é carroceiro e se prepara para mais uma viagem entre a Ilha Grande dos Marinheiros, um aglomerado de casebres na Zona Norte de Porto Alegre e o centro da capital. Na saída da ilha, entre os becos estreitos e embarrados, se percebe que a maioria das famílias que mora no local vive da reciclagem do lixo recolhido pelas carroças. São vários desses veículos nos pátios, na rua e nas varandas de alguns galpões. Entre um aceno de boa tarde e outro cumprimento, Teófilo conta a sua história, os problemas na Ilha e da vida como carroceiro, um trabalho que, segundo ele, sempre foi discriminado, pela sociedade movida a petróleo. Residindo há oito anos na Ilha e percebendo os problemas dos outros carroceiros do local, ele criou a Ascarpoa, a Associação dos Carroceiros de Porto Alegre.
A velha suspensão e os buracos da vila fazem a carroça balançar. O banco, feito de uma tábua serrada pelo vizinho, momentos antes da saída, pode parecer um pouco desconfortável para quem é acostumado com os bancos forrados dos carros é ônibus. Porém, parece não incomodar o carroceiro, acostumado com o trote do cavalo e a andar em pé na carroça. O desconforto desaparece quando o vento bate no rosto, lembrando a primeira vez que se anda de bicicleta.
Enquanto segue em direção ao centro da cidade, onde também fará o recolhimento do material reciclável, Teófilo comenta sobre o lugar em que vive. “Na verdade isso é uma grande invasão. Aqui não temos, muitas vezes, como comprovar endereço. Mas eu consegui fazer crediário em uma loja, as Casas Bahia. Então, quando algum vizinho precisa de algo eu vou lá e compro em meu nome. Nunca deu problema. Todo mundo paga direitinho. Nem me preocupo”, comenta.
A carroça pára por instantes as margens da BR-290. Teófilo olha atento, calcula o arranque do cavalo e entra rápido na rodovia que dá acesso a Porto Alegre. Um boné azul serve como sinaleira para indicar a manobra aos motoristas. “Essa é a rotina. Todo o dia é assim”, comenta depois de um caminhão passar ao lado da carroça buzinando.
* Reportagem publicada na revista Primeira Impressão, produzida por alunos da disciplina de Projeto Experimental em Revista, do curso de jornalismo da Unisinos (RS). Junho de 2008.
“Tira essa m…. dae maloquero!” – Rédea Solta – Parte 2
Publicado Junho 29, 2008 Jornalismo Deixar um ComentárioTags: carroça, reportagem
Textos: Fábio Almeida e Giovanni Rocha
Fotos: Giovanni Rocha
Em Porto Alegre circulam cerca de oito mil carroças, três mil delas vem de cidades vizinhas, mas que buscam trabalho na capital. Essa frota é a mais numerosa em uma região metropolitana no País. Não há registro de situação parecida em outro local no Brasil. O número é maior do que toda a frota de ônibus, táxis e lotação do município, de pouco mais de seis mil veículos. Não é difícil perceber que o encontro dos carroceiros com os motoristas, no trânsito tumultuado da cidade, geralmente não é harmonioso entre os condutores.
Para o Teófilo, a dor de cabeça é constate. As discussões são freqüentes, com ofensas de ambos os lados. “Esses ônibus nos apertam! Eles gritam, tira essa m…. daí! Maloqueiro! Eu não dou bola. Isso aqui é o meu instrumento de trabalho”, retruca indignado. O carroceiro continua e diz que ninguém respeita ninguém. “Por mais que a gente tente evitar atrapalhar, sempre acaba sendo discriminado. Às vezes a gente ouve mais do que deve. Não precisava xingar tanto”.
O próprio trânsito foi o responsável por colocá-lo na atual atividade, a carroça. O carroceiro já foi motorista de ônibus e realizava viagens pelo Brasil. Há dez anos a rotina mudou. Enquanto fazia um dos seus trajetos diários sofreu um grave acidente. Com a tragédia, passou a sofrer com problemas no sistema nervoso ficando impossibilitado de dirigir. Ele encontrou na carroça o meio para unir suas duas paixões, a estrada e o cavalo. Mas o perigo do trânsito ainda preocupa Teófilo. Os eventuais ataques epiléticos, com desmaios e outras reações involuntárias, já quase o mataram. “Estava sozinho, guiando a carroça, quando sofri uma convulsão. Por pouco não fui esmagado por um ônibus” mostra Teófilo, ao fazer gestos com as mãos tentando explicar como foi acidente.
* Reportagem publicada na revista Primeira Impressão, produzida por alunos da disciplina de Projeto Experimental em Revista, do curso de jornalismo da Unisinos (RS). Junho de 2008.
O cavalo Negrinho é o meu sócio – Rédea Solta – Parte 3
Publicado Junho 29, 2008 Jornalismo Deixar um ComentárioTags: carroça, reportagem

Textos: Fábio Almeida e Giovanni Rocha
Fotos: Giovanni Rocha
O cavalo faz parte na vida de Teófilo há muito tempo. O atual carroceiro e ex-motorista de ônibus também já foi jóquei. “Disputei provas de cancha reta no interior e até já participei de provas no Rio de Janeiro”, lembra. Ao contrário dos cavalos velozes que costumava montar, o cavalgar hoje é mais lento. Negrinho, cavalo de pelagem negra, é o atual companheiro do carroceiro. “Olha o brilho do pêlo do Negrinho. Tem que estar sempre limpo e bem cuidado, afinal ele é meu sócio”, brinca o carroceiro orgulhoso, ao admirar a luz do pôr-do-sol ao passar pela ponte do Guaíba.
O cavalo é uma preocupação constante, tanto para os carroceiros, motoristas e defensores dos animais. Muitos perdem seus animais por falta de conhecimento e estrutura para manté-los. Problemas com vacinas e não alimentação correta e, por vezes, o excesso de peso nas carroças são as principais causas de retenção dos animais pela fiscalização da Empresa Pública de Transporte e Circulação, a EPTC, que controla o trânsito em Porto Alegre. Teófilo olha decepcionado para uma carroça que vem em sua direção lotada de sacos e com o carroceiro batendo no animal. “Olha lá, aquilo não se faz”, lamenta o carroceiro.
* Resportagem publicada na revista Primeira Impressão, produzida por alunos da disciplina de Projeto Experimental em Revista, do curso de jornalismo da Unisinos (RS). Junho de 2008.
O lixo que vale mais – Rédea Solta – Parte 4
Publicado Junho 29, 2008 Jornalismo Deixar um ComentárioTags: carroça, reportagem

Textos: Fábio Almeida e Giovanni Rocha
Fotos: Giovanni Rocha
Já nas ruas do Centro de Porto Alegre, o espaço na carroça começa a ficar escasso, devido ao material recolhido durante o trajeto. Do papel usado ao plástico do brinquedo quebrado, tudo que a cidade elimina é aproveitado por Teófilo. A Prefeitura da capital dos gaúchos estima que das 200 toneladas de lixo geradas diariamente pela população de Porto Alegre, somente um terço é recolhido pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana, o DMLU.
Teófilo sabe que não pode carregar muito durante o trajeto. Assim como muitos de seus colegas, ele também tem lugar determinado para recolher o lixo que o interessa. É necessário administrar o espaço para o lixo nobre que ele recolherá em uma loja.
“Nós queremos papel branco, garrafa pet e latas de alumínio, é o material que vale mais”, diz. A renda de um carroceiro é variada, alguns recebem R$ 400 e outros ganham até R$ 1 mil com a venda do lixo para empresas de reciclagem. Um trabalho que envolve toda a família. São necessárias várias pessoas para separar nos galpões de reciclagem o lixo recolhido nas ruas. O contato da esposa e dos filhos com esse trabalho pesado preocupa o carroceiro.
* Reportagem publicada na revista Primeira Impressão, produzida por alunos da disciplina de Projeto Experimental em Revista, do curso de jornalismo da Unisinos (RS). Junho de 2008.
O futuro dos filhos – Rédea Solta – parte 5
Publicado Junho 29, 2008 Jornalismo Deixar um ComentárioTags: carroça, reportagem

“Eles começam trabalhando na carroça agora e acabam não estudando. Daí, claro, vão continuar na carroça a vida toda, porque não vão ter experiência em nada. Só em cuidar de cavalo. Isso não é futuro à ninguém. A carroça esta para pra acabar e daí?” Teófilo chega em uma loja, é o primeiro local dos vários que reservam lixo diariamente para ele. Ao fazer força, guardando as pilhas de papelão na carroça, ele fala das dificuldades em ser carroceiro e até mesmo do fim da profissão. “Eu luto para que os carroceiros sejam reconhecidos como trabalhadores, mas ao mesmo tempo não quero ver meus filhos tocando cavalo no trânsito. Penso em algo melhor para eles”, desabafa.
O fim dos veículos de tração animal está sendo discutido desde 2005 na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. O Programa de Redução Gradativa do Número de Veículos de Tração Animal prevê que as carroças sejam extintas em oito anos. Mas os carroceiros rebatem e questionam o futuro de toda a categoria.
“E se realmente tiver um fim, o que vão fazer todos esses carroceiros, roubar? Não sei do dia de amanhã, mas temos que ir tocando hoje.”
* Reportagem publicada na revista Primeira Impressão, produzida por alunos da disciplina de Projeto Experimental em Revista, do curso de jornalismo da Unisinos (RS). Junho de 2008.
Seminário discute jornalismo online no RS
Publicado Junho 26, 2008 Jornalismo Deixar um ComentárioTags: comunique-se, Jornalismo, jornalismo on-line
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS promove o seminário “Tendências do Jornalismo Online”. O evento será no sábado, dia 28/06, no plenarinho da Assembléia Legislativa do RS.
As inscrições devem ser feitas por e-mail. O formulário deve ser enviado para a secretaria do sindicato. O evento é gratuito para profissionais sindicalizados. Para estudantes, custa R$ 10; para o público em geral, R$ 30.
