Eu torço é para o touro

novembro 15, 2007

Eu torço para o touro acertar o toureiro. É verdade. Acusem-me do que quiserem, mas eu não gosto do toureiro. Eu não gosto da petulância dele, olhando uma fera ensangüentada, sem consciência da razão da sua presença em uma arena. Eu não gosto dessa pessoa, nem de qualquer outra, que maltrate animais. Eu os considero covardes.

Não gosto de gente que aprecia ver sangue, especialmente de bichos. Não gosto do sujeito mal amado que assiste uma rinha de galos, cães, ou o que for, e tem orgasmos com o sofrimento de animais. E se nessa diversão estiver envolvido dinheiro, eu festejarei quando o touro estiver de pé e o toureiro, imóvel, no chão.

Mas algo me incomoda mais. São as justificativas que tentam explicar, e parecem quase permitir, que pessoas possam ser covardes e doentes, por admirar a violência entre os bichos, e o pior, usar a palavra cultura como resposta. Eu sei, é uma palavra de significado complicado. Um professor me perguntou sobre ela e eu falei, falei, falei e poderia falar mais, mas não chegaria em algo objetivo, mas defender que a violência possa ser admitida pela “cultura”, ou algo parecido, é algo que vai contra tudo o que eu acredito.

Ora, se for para aceitar violência por causa da cultura, a partir de hoje tomaremos como normal a excisão na África e em outros povos. Uma “cultura” onde mulheres são mutiladas nos órgãos genitais, por outras mulheres, e por razões e métodos que não tenho estômago para escrever aqui. Que acham? Radical demais? Radical também é alguém, pai de família, que trabalha, vai ao banheiro, lava as mãos, gritar: “Vamos, briga!”.

Para finalizar, pior é aquele que deveria abominar, mas acaba patrocinando. Não bastasse a hipocrisia, junte a isso à cegueira, quando o mesmo covarde e doente declara que não percebe práticas de maus-tratos.

Acho que nunca torci tanto para o touro.

O texto acima é uma crítica aos acontecimentos que ocorrem no município de Vale Verde, no Rio Grande do Sul, e em todos os lugares onde a agressão e violência aos animais sejam admitidas, por cultura, diversão ou qualquer outra razão.

 

Saiba mais sobre as atividades do prefeito da cidade nos links abaixo:

Jornal Zero HoraPrograma Globo Rural

O e-mail da prefeitura de Vale Verde é pmvv@viavale.com.br

Giovanni

3 Respostas to “Eu torço é para o touro”

  1. Giovanni! Cara, ótimos textos. Adorei a leitura. Continua escrevendo, que eu vou continuar lendo🙂
    abraço

  2. Carlão said

    O sofrimento para a antropologia culturalista não é admitida, em termos. A cautela se dá no momento em julgamos determinadas práticas como sendo certas ou erradas a partir de nossas próprias referências e preceitos culturais.
    O trabalho dos cientistas neste sentido consiste em minimizar o impacto das práticas culturais que ferem a dignidade, geram dor e humilhação e, principalmente, colocam em cheque a própria sobrevivência de determinada cultura.
    Por isso sou contra à farra do boi em Santa Catarina, às touradas na Espanha e ao “jogo dos bois” em Vale Verde (RS). A extinção de tais prática culturais não comprometem de maneira alguma a existência de tais culturas. São práticas tão somente hedonistas, não se enquadram como ritos de passagem como também tais comunidades não sofrerão se essas práticas forem extintas. Apenas serão menos “felizes” e os seus domingos nunca mais serão os mesmos. Os animas agradecem…
    E quando se fala em ética nestes termos? Temos o direito em interferir na cultura do “outro” julgando-se acima do bem ou do mal? Até que ponto a moralidade nos afeta ao ponto que a hipocrisia prevalece e nos faz apontar o dedo sempre para o “outro” e nunca para sim mesmos!?

  3. Giovanni,
    Parabéns! Também estou contigo. Torço pelos touros. Torço pela vida.
    Há ato maior de covardia do que abusar do mais fraco, seja ele gente ou bicho? E os animais até podem ter tremenda força física, mas o homem sempre consegue vencê-la com sua mesquinha manipulação. Então, o homem é mais forte e massacra!!!
    Já cometemos barbaridades dia após dia porque matamos para comer – hábitos que Darwin explica e que, tudo bem, acabamos repetindo sem muita reflexão ou questionamento. Mas isso é bem diferente do que machucar, torturar, vitimar por puro prazer! Podem me dizer que isso é cultura e que, por esta razão, não se julga. Ah, me desculpem, mas acho que, assim como ocorre entre os seres humanos, portanto, os autores das ditas práticas culturais, uma cultura pode influenciar a outra, sim! E que essa troca, para não dizer “evolução”, seja sempre em favor da vida!

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