Faustão critica Dunga e consolida cultura Pão e Circo

junho 23, 2008

A política do Pão e Circo foi institucionalizada na Roma antiga para controlar possíveis mobilizações da sociedade contra a “ordem” estabelecida pelo Estado. No Brasil, a grande mídia, formada principalmente pela televisão, às vezes adota medidas parecidas com aquelas que os governantes romanos “permitiam” ao povo romano. O povo, pensando que tinha poder de decisão, mandava cortar cabeças e comia pão. Vivia na ilusão de ser parte do Estado, definindo aquilo que não tinha importância alguma para a sociedade.

Exemplo claro desses momentos “Pão e Circo” proporcionado pela televisão foi o desabafo do apresentador Faustão, em seu programa do dia 22 de junho, sobre a atual situação da seleção brasileira de futebol. Em um quadro do programa Domingão do Faustão, que permite aos entrevistados criticar o que quiserem, uma das “pedradas” foi contra o técnico da seleção, Dunga. Faustão parece ter aproveitado a “voz do povo” para falar sobre seu sentimento e o de milhares de brasileiros no empate contra a Argentina. Faustão disse que “só no Brasil um técnico estréia direto na seleção”, se referindo ao fato de Dunga nunca ter treinado nem um time da segunda ou terceira divisão.

Não defendo Dunga, mas acredito que Faustão, ao invés dessas críticas, deveria também tratar de questões mais importantes para a sociedade e que também estão na mídia, como, por exemplo, a criação de um novo imposto, abusos de militares em áreas esquecidas pelo Estado, desmatamento desenfreado da selva amazônica etc etc. Enfim, os jornais estão cheios de assuntos para se comentar, basta começar pelos editoriais e não deixar que a pauta de uma nação seja à base dos acontecimentos do futebol. Um prato cheio para quem é dono de um dos programas com maior audiência do país, e, quem sabe, da televisão mundial.

Assim como criticou diretamente Dunga, Faustão poderia também falar em público o nome dos políticos que votaram a favor da nova CPMF. Poderia também criticar os generais do exército brasileiro responsáveis por abusos, com entrega de pessoas para facções de morros rivais no Rio e as mortes sem explicações de recrutas em exercícios de combate um tanto duvidosos. Mas não. Esse não é o costume do apresentador do Domingão, que baba para os atores globais, mas que não dá nome aos bois quando tece críticas, exceto no seu último programa, com o técnico da seleção. Assim como na política do Pão e Circo, parece que somos donos da situação. Uma total ilusão. Tão poderosos, que, se necessário, derrubamos até o técnico da seleção brasileira. Um assunto tão importante, que merece o “agendamento” da sociedade brasileira, pelo menos é o que parece entender Faustão.

Não contente com seus comentários, em outro bloco, complementou a brincadeira de um entrevistado e disse que “isso é o que acontece com técnico que perde a razão. Vira piada pública.” O que importa é mudar o técnico, vencer da Argentina e botar o melhor do mundo para jogar. Se isso acontece, é graças à democracia. Como no coliseu, é o dedo indicador para baixo e as cabeças rolando. O resto é o resto. Deixemos para os mais esclarecidos, políticos, militares e corporações fazerem o resto. Nós, povo, nos importamos e cuidamos da seleção.

3 Respostas to “Faustão critica Dunga e consolida cultura Pão e Circo”

  1. marcosomag said

    Fausto Silva é um pusilânime puxa-saco.Depois que o Dunga detonou a Globo em uma entrevista, o Faustão, no afã de sair bem na radiografia escrotal do patrão, atirou no Dunga e acertou no seu colega de emissora, o Falcão.Afinal, Falcão teve como primeiro emprego de treinador exatamente a Seleção Brasileira de Futebol.Colocar novato como técnico da Seleção principal não aconteceu só no Brasil, como imagina o pantagruélico apresentador de TV.A CBF contratou Falcão como treinador seguindo o exemplo bem-sucedido de Franz Beckenbauer, treinador novato e campẽao do mundo na Itália, em 1990.Em 2006,o novato Klisman levou o limitado time alemão ao terceiro lugar na Copa,sendo muito elogiado pela torcida.Agora mesmo, na Eurocopa, novatos como Van Basten e Roberto Donadoni dirigem a Holanda e Itália, respectivamente.Portanto,Faustão perdeu uma belíssima oportunidade de ficar calado.

  2. bmac said

    Na minha opinião eu apoio as opinião do faustão. O Dunga a imprensa poderá até retirá-lo da seleção, mas em relação aos políticos e policiais, tudo que a imprensa em geral denuncia acaba em pizza, tendo em vista o sr. Paulo Maluco (vocês sabem quem) que hoje deveria ser um presidiário está como deputado,e muitos outros, é como dar murro em ponta de faca. E no Brasil o que não falta é técnico com capacidade para dirigir a seleção. Se o Sr. Ricardo Teixeira quer escalar A ou B para jogar, então ele que seja o Técnico da Seleção.

  3. Rodrigo Sena said

    Senhor bmac (do comentário acima), a questão levantada acima não é se o Faustão tem razão em seus comentários ou não, até porque qualquer comentário sobre futebol é meramente especulativo, pois é um jogo bastante imprevisível. E sim, a relevância que esse assunto tem, comparado às várias problemáticas político-econômicas que o Brasil enfrenta.
    Acredito que questionamentos como: Quem deve dirigir a seleção? Quem deve sair do BBB ou Quem deve morrer na novela das 8, podem até ser levantados. O problema é a importância que nossa mídia atribui a tais fatos em detrimentos de outros que são muito mais importantes para a sociedade. Isso demonstra a perpetuação da antiga política de pão & circo, citada pelo colega acima.

    À respeito de que “tudo que a mídia denuncia acaba em pizza” e que “é como dar murro em ponta de faca”, discordo veemente de você. A função da mídia é denunciar, informar, e mobilizar a sociedade diante dos fatos mesmo que, por vezes, essa informação venha deturpada e invertida, como o faz a principal emissora de tv de nosso país. Ao povo, cabe o dever de vigiar, questionar e exigir dos governantes alguma providência cabível. Se costumeiramente tudo tem acabado em pizza é por causa de pessoas apoliticas como VOCÊ que em vez de se instruir e ir atrás dos problemas sociais, vive embriagado nos ópios fornecidos pelo governo (futebol, bebidas, BBB, novelas) e quer que os problemas se resolvam por si, da noite para o dia.

    Talvez a culpa nem seja dessas pessoas, e sim do próprio governo que não garante uma boa educação para todos, o que nos torna uma sociedade impotente, desunida e enfeitiçada pela utopia do “bem-estar financeiro”, que um dia poderemos desfrutar no sistema selvagem capitalista. Mesmo assim, é importante não desistir de nós mesmos, e enfrentar toda essa corja da alta burguesa aliada à essa mídia manipuladora, pois só assim há de haver alguma mudança. Se todos nos conformarmos como você, tenha certeza que a situação pode ficar pior.

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