O futuro dos filhos – Rédea Solta – parte 5

junho 29, 2008

Giovanni Rocha

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“Eles começam trabalhando na carroça agora e acabam não estudando. Daí, claro, vão continuar na carroça a vida toda, porque não vão ter experiência em nada. Só em cuidar de cavalo. Isso não é futuro à ninguém. A carroça esta para pra acabar e daí?” Teófilo chega em uma loja, é o primeiro local dos vários que reservam lixo diariamente para ele. Ao fazer força, guardando as pilhas de papelão na carroça, ele fala das dificuldades em ser carroceiro e até mesmo do fim da profissão. “Eu luto para que os carroceiros sejam reconhecidos como trabalhadores, mas ao mesmo tempo não quero ver meus filhos tocando cavalo no trânsito. Penso em algo melhor para eles”, desabafa.

O fim dos veículos de tração animal está sendo discutido desde 2005 na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. O Programa de Redução Gradativa do Número de Veículos de Tração Animal prevê que as carroças sejam extintas em oito anos. Mas os carroceiros rebatem e questionam o futuro de toda a categoria.
“E se realmente tiver um fim, o que vão fazer todos esses carroceiros, roubar? Não sei do dia de amanhã, mas temos que ir tocando hoje.”

* Reportagem publicada na revista Primeira Impressão, produzida por alunos da disciplina de Projeto Experimental em Revista, do curso de jornalismo da Unisinos (RS). Junho de 2008.

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